Com o avanço da inteligência artificial, os sistemas de monitoramento de segurança, câmeras e radares estão cada vez mais eficientes. O resultado disso? O cerco está fechando contra os imprudentes no trânsito. Há quem reclame de tantos impostos, e eu não discordo, mas o que mais vejo nas redes sociais são comentários revoltados contra a atuação de agentes de trânsito, policiais rodoviários estaduais e federais, e principalmente contra os radares. Comentários positivos são raridade; a maioria prefere atacar o sistema de segurança.
A impressão que dá é que, para essas pessoas, o trânsito não deveria ter regra nenhuma. Sem limite de velocidade, sem proibição de ultrapassagem, sem polícia ou agente fazendo blitz educativa ou de fiscalização. O mais visível disso tudo é que quem mais critica a fiscalização é justamente quem fura o sinal vermelho, estaciona em local proibido e muda de faixa sem dar seta. É essa mesma turma que chora ao receber uma multa por estacionar de qualquer jeito.
Poucos são os que realmente buscam seguir as regras e evitar infrações. Muitos ainda acham que o trânsito é terra sem lei e que podem fazer o que quiserem ao volante, mesmo que isso coloque a vida dos outros em risco, como vemos diariamente nas notícias de acidentes causados por imprudência de quem nem deveria estar dirigindo.
Claro, é muito mais fácil ser infrator do que respeitar as leis. Afinal, quem gosta de parar num semáforo e esperar um minuto inteiro, ainda mais em uma via cheia de cruzamentos? Quem gosta de ficar arrastando atrás de um caminhão numa BR, esperando a faixa contínua acabar para ultrapassar com segurança? O brasileiro quer ter prioridade sobre o outro, agindo como se fosse o dono da rua.
Se o trânsito funcionasse por essa lógica do “cada um por si”, o caos seria absoluto. Observe o que acontece quando um semáforo quebra e não há um agente de trânsito para organizar: o tráfego trava na hora. Imagine você no meio de uma rotatória e alguém corta a sua frente, ou dá uma fechada brusca sem seta. Isso acontece todo dia nas capitais. No interior, então, nem se fala, porque parece que parte dos motoristas nem sabe que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) existe na prática.
As leis existem por um motivo simples: garantir segurança e mobilidade para todo mundo. Não existe “fábrica de multas” no Brasil; o que existe é infrator que gosta de jogar dinheiro fora.
Recentemente, as regras para a obtenção da CNH foram flexibilizadas para baratear o processo. Houve muita chiadeira, mas a verdade é que essa mudança não piorou a formação em nada, porque o modelo anterior já não funcionava para educar ninguém e muito menos garantia que o aluno saísse da autoescola sabendo dirigir na vida real. A única diferença real foi no bolso: a flexibilização acabou com a máfia das autoescolas, que cobrava fortunas por uma reserva de mercado inútil. No fim das contas, quem passa no exame prático hoje tem o mesmo desafio de antes: estudar a lei por conta própria e praticar bastante antes de encarar o fluxo das vias.
E aqui entra uma pauta que eu sempre defendi: apertar ainda mais as leis de trânsito. Hoje, o condutor pode perder a CNH, ter o direito de dirigir suspenso e pagar multas pesadas. Mas sabe por que não resolve? Porque enquanto a punição for só no papel ou no boleto bancário, o infrator paga e volta a aprontar.
Se além de perder a CNH o motorista também perdesse o próprio veículo, aposto que pensariam duas vezes antes de cometer uma infração grave. Só multa e ponto na carteira não educam ninguém. Para educar de verdade no Brasil, tem que perder o veículo. O brasileiro só aprende quando o impacto dói fundo no bolso e no patrimônio.
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