
Alguns livros são como rios caudalosos, que correm velozes em direção ao mar. Outros são como lagos profundos parecem imóveis à superfície, mas guardam mundos inteiros em suas águas escuras.
Conveniência foi escrito para ser um desses lagos.
Desde as primeiras linhas, a escolha foi clara: esta não seria uma história sobre eventos, mas sobre o que acontece nos silêncios entre os eventos. Não sobre o que os personagens fazem, mas sobre o que pensam enquanto não fazem.
O ritmo deliberadamente introspectivo, os diálogos que carregam mais peso nas pausas do que nas palavras, a cidade que funciona mais como estado de espírito do que como cenário, tudo isso foi uma decisão de arquitetura narrativa, não um acidente de percurso.
Para quem está acostumado à cadência acelerada dos thrillers ou aos plot twists a cada capítulo, Conveniência pode parecer um caminho diferente. E é. É um livro que pede ao leitor o mesmo que pediu ao autor: paciência para observar, disposição para escutar os ruídos baixos da alma, coragem para encarar as contradições que moram em cada escolha.
Esta não é uma história sobre heróis ou vilões, mas sobre pessoas que carregam ambos dentro de si. E pessoas, como sabemos, raramente se revelam em ação. Revelam-se em hesitação, em memória, no modo como anotam suas vidas em cadernos secretos.
Se você busca uma leitura que respeita sua inteligência emocional, que confia na sua capacidade de ler nas entrelinhas, que acredita que o mais importante numa história muitas vezes é o que não é dito, então você é o leitor para quem este livro foi escrito.
Às vezes, a verdadeira revolução não está no grito, mas no sussurro que ecoa depois.
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