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Segurança digital exige prevenção contínua diante do avanço dos crimes cibernéticos

Atualizações, autenticação em dois fatores e atenção a golpes estão entre as medidas mais eficazes para reduzir riscos

Adamy Gianinni
Adamy Gianinni
Editor-chefe
Sou jornalista e escritor. Estudei mídias digitais e gestão pública para entender como o poder se disfarça na tecnologia. Agora, no 2º semestre de Análise e...
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O crescimento do acesso à internet e da digitalização de serviços ampliou também a incidência de crimes virtuais. Operações bancárias, compras, redes sociais e serviços públicos concentram hoje grande volume de dados pessoais sensíveis.

No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) regula o tratamento de dados pessoais por empresas e órgãos públicos. Já a Lei Carolina Dieckmann tipifica crimes como invasão de dispositivos informáticos. Apesar da legislação, vazamentos continuam a ocorrer, inclusive em grandes organizações, o que reforça que segurança digital é processo contínuo, não garantia absoluta.

Relatórios internacionais da Cybersecurity and Infrastructure Security Agency (CISA) e orientações da Federal Trade Commission indicam que a maior parte dos incidentes explora falhas conhecidas ou engenharia social, quando o usuário é induzido a fornecer dados voluntariamente.

Especialistas apontam que algumas medidas têm impacto significativamente maior na prevenção de ataques.

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Medidas prioritárias de proteção

1. Atualizações e correções de segurança

Manter sistemas operacionais, aplicativos e firmware de roteadores sempre atualizados é uma das ações mais eficazes contra invasões. Atualizações corrigem vulnerabilidades já identificadas e exploradas por criminosos.

No ambiente doméstico, recomenda-se:

  • Alterar senhas padrão de roteadores.
  • Ativar criptografia WPA3 ou WPA2.
  • Desativar serviços remotos desnecessários.
  • Atualizar regularmente o firmware do equipamento.

2. Senhas fortes e autenticação em dois fatores

O uso de senhas únicas e complexas para cada serviço reduz o impacto de vazamentos. A autenticação em dois fatores (2FA), que exige um segundo código além da senha, é considerada uma das barreiras mais eficientes contra invasões de contas.

Instituições financeiras brasileiras, representadas pela Federação Brasileira de Bancos, reforçam que fraudes digitais frequentemente exploram credenciais obtidas por phishing, e não falhas diretas nos sistemas bancários.

3. Cuidado com golpes e engenharia social

Fraudes por e-mail, mensagens e ligações continuam entre as principais ameaças. Criminosos simulam cobranças, prêmios ou contatos de familiares para obter informações pessoais.

As orientações são:

  • Não clicar em links suspeitos.
  • Não fornecer senhas ou códigos recebidos por SMS.
  • Confirmar informações apenas por canais oficiais da instituição.
  • Desconfiar de promessas de ganhos fáceis.

A SaferNet Brasil mantém canais de denúncia e orientações sobre crimes virtuais.

Riscos em redes públicas e conexões automáticas

Redes Wi-Fi abertas facilitam interceptação de dados caso o tráfego não esteja devidamente criptografado. O acesso a serviços bancários ou inserção de dados sensíveis em redes públicas deve ser evitado.

Quando necessário:

  • Priorizar conexões móveis próprias.
  • Utilizar autenticação em dois fatores.
  • Evitar transações financeiras.

Desativar conexões automáticas de Wi-Fi e Bluetooth reduz a exposição a rastreamento por identificadores de dispositivo, como endereço MAC.

Portas USB públicas e “juice jacking”

Autoridades internacionais alertam para o risco de “juice jacking”, técnica que explora portas USB adulteradas para transferência indevida de dados. A recomendação é utilizar carregadores próprios conectados diretamente à tomada elétrica ou adaptadores que bloqueiem transmissão de dados.

Dispositivos conectados e câmeras

Câmeras residenciais com armazenamento em nuvem capturam vídeo e, em muitos casos, áudio. Antes da instalação, é importante verificar:

  • Política de privacidade da fabricante.
  • Local de armazenamento dos dados.
  • Existência de criptografia nas transmissões.

A instalação em ambientes íntimos exige avaliação criteriosa de risco.

Cobrir a câmera do computador quando não estiver em uso e revisar permissões de aplicativos como acesso a microfone, câmera e localização, são medidas adicionais recomendadas.

Metadados e exposição de localização

Fotografias digitais costumam registrar metadados, incluindo coordenadas geográficas. Algumas plataformas removem essas informações automaticamente; outras não. A exclusão prévia dos metadados evita a divulgação involuntária de endereço ou rotina.

Redes sociais, como o Instagram, oferecem configurações para revisar e limitar o histórico de localização associado à conta.

Videomonitoramento e exposição involuntária

Ambientes públicos e comerciais contam com câmeras de alta resolução. A digitação de senhas ou visualização de dados sensíveis em locais monitorados pode representar risco adicional, especialmente com possibilidade de ampliação digital das imagens.

Segurança como responsabilidade compartilhada

Especialistas e órgãos internacionais, como a International Telecommunication Union, destacam que a proteção no ambiente digital depende da combinação entre políticas públicas, responsabilidade corporativa e comportamento consciente do usuário.

Não há proteção absoluta contra incidentes cibernéticos. A redução de riscos passa por atualização constante, uso criterioso de tecnologias conectadas e atenção permanente a tentativas de fraude.

Fontes: Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), CISA, Federal Trade Commission (FTC), SaferNet Brasil, Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e União Internacional de Telecomunicações (ITU).

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Sou jornalista e escritor. Estudei mídias digitais e gestão pública para entender como o poder se disfarça na tecnologia. Agora, no 2º semestre de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, investigo o lado técnico da história. Escrevo sobre política, mídia e tecnologia com independência, ceticismo e zero paciência para o óbvio.